Ainda no calçadão...
5h30min meu despertador soa, salto da cama toda amarrotada e babada, jogo uma água no rosto, dou um retoque na sobrancelha, me meto num shorts e camiseta e vou sem nem pensar em nada (se você parar para pensar, tua cama te agarra e você não vai !). Nesse dia, chego na portaria e percebo que está chuviscando... já 'tava ali mesmo, resolvi ir de qualquer jeito (aqui, nessa época do ano, quase não chove. Quando cai alguma coisa, é rapidinho ).
Maldito seja o engenheiro ou arquiteto que escolheu o material pra fazer aquele calçadão ! Bicha, o calçadão daqui é revestido de uma lajota que quando molhada escorrega mais que KY ! Mas só descobri isso quando já estava em cima dele!
Viado, dei aquela corridinha Miami Beach pra atravessar a rua, sabe ?! Mas quando eu pisei na calçada, senti o tênis deslizar! PQP! Sabe quando você dá aquela travada?! Parecia um gato sendo jogado na água fria! Fiquei tesa! Na ponta dos pés, mas me equilibrei! Passado o susto, pensei: “Vou pra ciclovia, lá o piso deve ser mais áspero!” Runrum... mais áspero, sei... a ciclovia também é revestida de uma lajota, menor, mas mais escorregadia, gente! Pra piorar, além de molhado, ainda tinha areia! Que é isso?!
Só na terra da luz! Nos dias ensolarados você anda, nos dias de chuva; patina!
Lá, lé, li, lo, Shannah Lu Patinadora
Escrito por Roger Delíci@ às 08h43
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Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça...
... é ela menina, que vem e que passa... viado, me sinto a própria Elô Pinheiro andando no calçadão em Fortaleza!
O calçadão aqui se estende pela Avenida Beira mar, por onde eu ando linda toda manhã para manter meu corpinho! 
O calçadão é disputadíssimo pela manhã! Várias tias de caras esticadas , tiozinhos de orelhas grandes , mavulas e todo o tipo de gente “normal”. E entre elas, euzinha! Mas eu não sei pq cargas d’água, o povo daqui me olha como se estivesse vendo uma girafa de tênis e Walkman andando na orla! Eu hein... ser diferente é normal, 'tá, meu amor?!
Bom, mas eu já desenvolvi uma técnica para me livrar deles: toda vez que eu percebo alguém me olhando assombrado, faço a maluca, sorrio e digo um sonoro “bom dia!” pra ela. E sigo, serelepe, deixando a criatura com aquela cara de “ih, a girafa falou comigo! ” Eu hein... te conheço?! (Viado, vi uma mulher no Zorra Total que falava isso... muito engraçado!)
Jogando o muco, fui!
SSRRM
Escrito por Roger Delíci@ às 08h42
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Caranguejo... (CUIDADO: TEXTO LONGO! Hummmm... delícia!)
Reza a lenda que quinta-feira é dia de comer caranguejo por aqui (eu particularmente não gosto. Dar dor nas costas! Rá, rá, rá... ); juntando-se a isso a euforia babaca dos meus chefes – eles sempre ficam assim, se vangloriando e todos sorridentes, toda vez que conseguem, através do NOSSO esforço, impressionar o cliente – decidiu-se que iríamos a um lugar chamado Chico do Caranguejo. Minha vontade de ir? Nenhuma! Mas, pra não fazer a antipática, fui... e é de lá que acabo de chegar ainda meio abobado repetindo “arrocha!”, “arrocha!”, “arrocha!...” (esse era o refrão da última música que ouvi Serjeane cantar – a pronúncia é /serjâne/ – perdoai Senhor! ) enquanto escrevo isso...
O lugar até que era legal: grande, bem arejado, muitos garçons. Chegamos cedo, umas 8 e meia, e uma banda tocava alguns forrós. Apesar da generosa quantidade de melanina em sua pele, o vocalista respondia pela alcunha de Zé Gotinha. Hello?! 'Tá.... “que chato”, pensei... sentamos, falamos algumas amenidades, eu fugindo do meu chefe com mau hálito que fala de trabalho até no enterro da mãe , blablablá...
Um panfleto dizia que além do show de forró, teríamos um show de humor também (isso é comum aqui!). ‘Tá... blablablá...
Foi quando Zé Gotinha dos Palmares anunciou a banda Corta-fogo. Gente, não sei se foi o assombro que paralisou minhas pernas ou o se o choque foi muito grande que me causou uma parada cerebral e eu não pude correr , só sei que, quando os dançarinos da Corta-fogo adentraram o palco, fiquei ali parado, boquiaberto, experimentando aquele misto de pena e asco , piedade e repugnância.
Vocês lembram de Carla Perez no início da carreira ! Pois bem, duas loiras naquele estilo só que 15 kg acima do peso. Ok, ok, sem preconceitos contra as mavulas! Mas, bichas, imaginem Carla Perez no início de carreira, gorda, num macacão branco de malha grudadinho no corpo! Qüendem: macacão sem manga, com boca de sino e um detalhe: do lado externo das coxas, havia rasgos em forma de flor. 
Pára ! Como se não bastassem as mapoas, ainda me aparecem dois ocós: um super magro mas com abdômen tanquinho (ah, o meu também é tanquinho, só que com uma trouxa de roupa suja em cima!), cabelo “crescendo”, aquela coisa disforme, grotesca, com luzes. O outro “comum”: 1,60 m e nada mais... figurino deles?! Camisa de manga branca, calça largona branca e – pasmem! – uma capa enorme branca que mais parecia um jaleco de enfermeira mal cortado! PQP! E você via que o de cabelo crescendo se sentia! E a coreografia?! PQP! Por um momento cheguei a achar que aquele já era o show de humor!
E enquanto aquele circo dos horrores desfilava à nossa frente, ouvíamos a voz da vocalista da banda, mas não a víamos... (éramos felizes e não sabíamos!). Até que surgiu no palco, no mesmo shape das dançarinas, só que trajando um macacão preto com um decote até o umbigo, um top com um lado preto e outro branco, salto alto, um chapéu de feltro, uma capa tão feia quanto as dos dançarinos só que preta e uma gravata vermelha! (Sem comenários! ). Era Serjeane, a vocalista.
E Serjeane também dançava! Dançava como a própria Carla Perez! Daquele jeitinho delicado e calmo como um epilético tomando choque durante uma crise de convulsões: e sobe e desce e abaixa e levanta e joga a capa e tira o chapéu... e à sua volta os dançarinos rodam, jogam os braços, rebolam (via-se claramente uma influência da dança afro nos passos deles: afrontada!). Fácil imaginá-los numa garagem mal-acabada ou num quintal de um casebre “criando” aquilo que eles chamaram de coreografia... ai, ai... 
Serjeane cantava num idioma que lembrava o castelhano e se auto-intitulava “a mexicana”. Hello?! Em verdade, acho que ela só não cantava em português pois eu não entendia patavina do que ela falava! Mas a cabeça chata e redonda da moça nos garantia que ela era um fruto autêntico da terra da luz. Em resumo, Serjeane era uma mistura de Trineri com Elba Ramalho.
(O tiozinho que vendia balas e cigarros também comercializava o CD ao vivo da banda: uma cópia dessas de computador mesmo com o nome da banda escrito à mão... ai, ai...)
Quase uma hora de tortura, digo, show, houve uma troca de figurino... Senhor! Serjeane me volta com uma camiseta preta, uma calça de veludo molhado amarelo-ovo e um chapéu vermelho! Pq senhor?! Pq?! A calça tinha as bocas largonas e rasgos a partir do joelho que deixavam ver as sandálias altas brancas que a cantora usava... (eu vou pro céu direto, ah vou!). Os dançarinos: o magrinho voltou com um coletinho em cetim preto (uma lágrima... ) e o baixinho com uma camisa feminina num tecido transparente preto com umas estrelas douradas enormes! Dos ombros pendiam faixas do mesmo tecido... (um suspiro... )
Para completar, juntem a essas cenas os gritos de “iabadabadú” que Serjeane vez ou outra soltava... e quando eu achei que já tinha sofrido tudo o que podia, ela começou a cantar o novo hit da Corta-fogo: tiruliruliru! Aquele mesmo do cancioneiro português, só que adaptado com uma letra mais “sensual” com a qual Serjeane incitava o povo gritando: “ sovaco pra cima tem um tiruliruliru, sovaco pra baixo tem um tirulirulá...”. (fala sério?! Eu mereço isso?! Como eu quis uma zarabatana com dardos envenenados naquele momento!).
Foi isso! E arrocha! Arrocha!
Shannah Silva, discípula de Serjeane
Escrito por Roger Delíci@ às 12h00
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